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13 de out de 2010

Poeta Frontal e Surrealista


Achei esta preciosidade! Digo isto pois até então desconhecia Alexandre O'Neill (1924-1986). 
Li um comentário de uma telenauta dizendo que O'Neill nos dá “uma poesia mais frontal, mais cheia-de-garras.” Disse isso sem gostar da sua obra. Achei um barato!
O'Neill era português, mas tinha origem irlandesa. Poeta autodidata, quis ser piloto de avião. A miopia não deixou. Tinha uma vida muito agitava. Morreu de ataque cardíaco.



AUTO-RETRATO

O’Neill (Alexandre), moreno português,
cabelo asa de corvo; da angústia da cara,
nariguete que sobrepuja de través
a ferida desdenhosa e não cicatrizada.
Se a visagem de tal sujeito é o que vês
(omita-se o olho triste e a testa iluminada)
o retrato moral também tem os seus quês
(aqui, uma pequena frase censurada…)
No amor? No amor crê (ou não fosse ele O’Neill!)
e tem a velocidade de o saber fazer
(pois amor não há feito) das maneiras mil
que são a semovente estárua do prazer.
Mas sofre de ternura, bebe de mais e ri-se
do que neste soneto sobre si mesmo disse…


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