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6 de out de 2012



Nada é totalitário (apesar de que a palavra "nada" também o seja), mas tenho para mim que (tod)o poema deveria estar desnudo de qualquer explicação. Dedicatórias, datas, localizações, citações são apenas a pueril vaidade do poeta enchendo linguiça. Vade-retro, satanás! Nem sempre consigo exorcizar o demônio. Este texto, por exemplo, já deu, mas o poema abaixo, filho de minhas entranhas, sequer vem vestido com um título. 


 




As grosseiras palavras contra Rilke
não foram pra atingi-lo, caro amigo.
Mas devo admitir, foi muito engraçado.
Não leve para o lado pessoal.

(Fico pensando, se falasse mal
de Cairo ou Cabral, de Glauco ou Britto
ficaria também meio bolado.)
É sincero o que digo: me desculpe.

Sobre o poema em inglês, a razão
(de novo) está contigo. É insensato
ensaiar voo na língua de Shakes-

peare, se temos um vocabulário
"assaz" rico. Você fala alemão?
Em tempo: achei que preferisse Blake.

(FF)

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